Era mais uma corrida de Uber em um dia normal. Eu estava concentrada olhando pela janela do meu lado esquerdo quando o motorista me perguntou: “você viu que bonito esse muro que a gente acabou de passar e que grafitaram no fim de semana?”. E não, eu não tinha visto. Estava muito concentrada olhando pro outro lado, assistindo uma senhora saindo do supermercado. Então um pensamento me veio à mente: quantas coisas a gente perde porque escolheu focar em outra coisa? E outro pensamento ainda mais aleatório: como aceitar que a gente nunca vai conseguir fazer tudo, viver tudo, ser tudo?

Eu sofro muito de FOMO (o famoso Fear Of Missing Out). Sofro por querer sempre saber o que tá acontecendo no mundo e no Twitter, querer ler todos os livros que acho interessantes, assistir todas as séries que amo e minhas amigas também gostam, assistir todos os stories do dia… Por isso sinto constantemente que estou “atrasada”, até com as coisas que eu gosto de fazer por lazer. Me sinto lerda por demorar mais de 1 mês pra ver 1 temporada de uma série. Me sinto péssima por ter tantos livros não lidos na minha gaveta. Até no meu universo amado do k-pop sempre existem novos grupos, novas músicas, novos realitys shows, e, mesmo se eu quisesse, não conseguiria acompanhar tudo. E sempre tenho que me lembrar que tá tudo bem.

Porque na verdade tá tudo bem mesmo. Você não viu todos os capítulos daquela série, mas escolheu passar mais tempo com a sua família. Não conseguiu ter a sua própria casa ainda, mas conseguiu fazer viagens legais com o dinheiro que guardou. E por aí vai. Caminhos na vida que a gente vai definindo dia após dia com as nossas escolhas.

Só que sempre existem aqueles “e se” da vida. E se eu tivesse feito aquele intercâmbio na faculdade ao invés de ter escolhido ficar e me formar com os meus amigos? E se eu tivesse continuado nas aulas de violão até hoje? E se eu tivesse dito “sim” para aquela oportunidade? Várias vezes me questionei como estaria a minha vida se eu tivesse tomado um caminho diferente e o que eu posso ter perdido por conta disso. Tenho certeza que você já se fez essas mesmas perguntas. Eu não acredito 100% em destino (tá, talvez 98%), mas sei que tudo que eu passei e todas as escolhas que fiz me trouxeram até aqui. E sim, talvez eu tenha perdido muitas coisas boas por ter focado minha atenção em outro caminho. Só que também ganhei coisas incríveis que eu nunca cheguei a sonhar um dia.

Hoje tenho amigas que vivem diferentes momentos da vida: umas que escolheram morar no exterior, outras que escolheram a maternidade, algumas que resolveram sair da carteira assinada para empreender e também as que simplesmente gostariam de viver outra realidade. Todas se perguntaram em algum momento o que elas estariam abrindo mão para viver essas escolhas. Porque escolher também é isso: abrir mão. E a calmaria no coração só chega se a gente souber lidar e aceitar essas coisas que estamos renunciando em nome de outras mais importantes para nós naquele momento.

Aceitar que você vai “perder” muitas coisas pra seguir as suas escolhas é também entender que na vida nada é imutável, permanente. Eu sei que você que está me lendo agora tem muita vida pela frente. Não importa se você tem 20, 30 ou 50 anos: você não é muito velho e nem é tarde demais. Às vezes a própria vida escolheu por você lá atrás, te privando de colocar seu foco e sua atenção naquilo que você realmente queria naquele momento. Mas logo ali, dobrando a esquina, você sempre vai ter a chance de escolher por você.

“Todos os dias quando acordo
Não tenho mais o tempo que passou
Mas tenho muito tempo
Temos todo o tempo do mundo”

E o que você pode fazer com o momento presente é trabalhar COM ele, e não CONTRA ele. Torne-o seu amigo e aliado, não seu inimigo. Exercite o pensamento de tentar não reclamar sobre o quanto você odeia o seu trabalho, sobre o quanto odeia não ter tempo pra nada ou como odeia não estar onde queria. A todo momento você está escolhendo como quer que seja a sua vida, e o seu agora é parte do caminho que irá te levar até onde você sonhou se você continuar fazendo as escolhas certas. E eu desejo que você esteja feliz com as suas escolhas de hoje. Mas, caso não esteja, desejo que você encontre a força necessária para mudar de direção para que essas mesmas escolhas reflitam suas esperanças e sonhos, e não apenas os seus medos.

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