O que você tem a ganhar vinculando sua imagem pessoal à da sua marca?

Conversei com a Letícia Michels do Letícia Michels Atelier sobre a sua decisão de produzir conteúdo em vídeo e se expor no perfil profissional do seu atelier. No nosso papo ela conta sobre os perrengues que já passou, como a sua marca cresceu e como a decisão de colocar seu cavalinho na chuva a fez bater o recorde de vendas no seu atelier no mês de julho, em plena pandemia. Inspiração total pra você que também quer se jogar na produção de conteúdo mas ainda tem medo! Confira a entrevista abaixo:

Letícia, seja bem-vinda! Obrigada por topar dividir um pouquinho da sua história com a gente. Conta aqui pro pessoal um pouquinho sobre quem é Letícia Michels!

Letícia: Oi! Primeiro queria agradecer por me convidar pra esse calendário de lives que você está fazendo no Instagram, só tem conteúdo e pessoas que admiro muito! Então, se tem algo que eu morro de vergonha é de falar sobre mim, mas vamos lá: sou a Letícia, tenho 26 anos, sou sagitariana com ascendente em capricórnio, sou formada em design de moda e tenho minha marca própria de roupas desde 2014 focada em peças atemporais, produção consciente e slow fashion.

Eu sou sua fã assumida e cliente do Leticia Michels Atelier. Hoje você tem o seu showroom aqui em Joinville e também o seu site que é um dos principais canais de venda. Um case de sucesso! Mas é como falam, né: quem vê close não vê o corre. Como foi pra chegar até aqui com a sua marca? Deu vontade de desistir?

Letícia: Nossa, se eu não falar que bate essa vontade quase toda semana, vou estar mentindo. Sempre detestei quem romantiza o empreendedorismo, por isso sempre fui muito aberta para contar a minha trajetória. Comecei super pequena, em 2014 (durante a faculdade ainda), porque queria colocar na prática o que estava aprendendo sobre modelagem e costura. Naquela época, eu comecei sem pretensão, era realmente um laboratório. Mas as pessoas foram gostando, abri uma página no facebook, depois no instagram e comecei a crescer. Mas veio a época de TCC e estágio da faculdade. Como eu fazia UDESC (que é em Florianópolis) e a confecção era em Joinville, acabei ficando sem final de semana pra respirar e descansar. Então decidi encerrar as atividades do atelier (que na época era beeem pequeno, eu, minha mãe e mais uma costureira aqui da minha rua que fazíamos as peças) e focar no meu TCC. Depois de formada veio a dúvida do que fazer da vida, se ia trabalhar de CLT em alguma marca ou se recomeçava a minha própria. Decidi aproveitar o apoio dos meus pais, que foi e ainda é muito importante pra mim, e decidi reabrir o atelier. Parei para fazer um mini planejamento de negócio, reestruturei todo o visual (naquela época eu que fiz o logo, só dei uma melhorada), pensei no conceito da marca e lancei o e-commerce. Desde lá vemos a marca crescer a cada ano, sempre com passinhos de formiguinha. Com muuuitos perrengues, dificuldades, frustrações, que me trouxeram aprendizados que nenhuma faculdade poderia trazer.

Quando te chamei para para participar da live no Instagram, me lembrei do Connected Women, o evento de empreendedorismo feminino que eu e a Paula fizemos aqui em Joinville em 2018. A gente te chamou para um painel, para você dividir um pouco da sua experiência com as convidadas. Lembro que você tava bem nervosa para falar no palco porque é uma pessoa tímida, né?

Letícia: Esse evento foi quase um divisor de águas pra mim, sabia? JAMAIS pensei que fosse capaz de falar em um palco, segurando um microfone nas mãos, para centenas de mulheres. Pensando nisso agora, eu não sei se aconteceu ou se foi uma alucinação coletiva, hahahaha. Mas eu sempre fui MUITO tímida, desde muito pequena. Minha mãe sempre conta que eu era a criança que ficava brincando sozinha nos lugares porque morria de vergonha de falar com outras crianças. Eu me escondia debaixo da saia dela quando tinha que cumprimentar as pessoas. Enfim, sempre fui bem bicho do mato, e quando preciso colocar isso à prova, eu nem penso muito, só aceito o convite na lata pra não dar tempo de desistir. Quando vai chegando a data, bate um arrependimento do cão. “Porque raioooos eu aceitei isso?”, bate um piriri, suo frio. Mas me comprometer com outras pessoas me obriga a não desistir. E no final, quando passa, a sensação de ter se superado é inexplicável.

Então tenho certeza que superar essa timidez para vincular a sua imagem pessoal à da sua marca nas redes sociais foi um grande desafio. Nós que trabalhamos com capital criativo temos a nossa imagem muito vinculada ao nosso trabalho. Até porque o atelier leva o seu nome também, né? Quando você começou a sentir a necessidade de realmente colocar a cara no sol e movimentar o seu instagram com stories e vídeos?

Letícia: Pode parecer um exagero, mas cada stories que eu tenho que fazer é um novo desafio. Quem trabalha comigo e minha família sabem. Acredito que eu nunca vou deixar de ser tímida, não tem como mudar algo que faz parte da minha personalidade, da minha essência. Depois que me aceitei da maneira que sou, consegui me apropriar disso e falar sobre mais abertamente. Estou sempre buscando mecanismos que me fazem sentir mais segura, porque acho que além de associadas à nossa personalidade, a timidez e a vergonha podem estar associadas também à insegurança. Quando vou falar sobre algo que me sinto mais envergonhada que o normal, eu tento estudar sobre o tema, faço roteiros para memorizar o que quero dizer. Faço vídeos e mando para as amigas verem e falarem se está bom, e isso me ajuda a ficar mais segura e consequentemente menos tímida. Sobre a tua segunda pergunta, eu sinto essa necessidade desde sempre. Mesmo antes de se falar sobre branding pessoal, sobre associar a imagem da marca com a pessoa que está por trás, eu já sentia essa necessidade e tentava trazer minha cara e minha personalidade pra marca. Porque a marca sou eu, tem meus valores, minha cara mesmo. Ver os benefícios e resultados que isso traz pra marca me incentiva a continuar.

Quais eram as principais neuras que você tinha no começo? Vergonha, implicava com alguma mania ou trejeito seu? Demorava muito pra conseguir gravar algo?

Letícia: Até hoje é bem difícil eu conseguir gravar e postar de primeira. No começo, eu gravava 20/30 vezes um stories (sério mesmo, sem exagero), hoje eu gravo 3 vezes no máximo. Quando sai de primeira me sinto a própria blogueira, fico me achando, hahaha. Acho que além do que eu disse antes sobre a insegurança, a autocrítica está muito ligada a isso. É o famoso perfeccionismo que nada mais é que uma insegurança exagerada, uma desculpa pra deixar de fazer, de postar, é uma procrastinação maquiada. Eu sempre me escondi por trás da minha armadura de “perfeccionista”, e isso querendo ou não me mantinha na zona de conforto. Eu já deixei de gravar IGTV porque não tinha uma ringlight, não tinha um cenário legal, meu cabelo no dia estava com frizz. Mas no fundo era porque eu não queria lidar com a minha timidez, porque o que importa é a mensagem que você tá passando, e não o cenário, a luz ou o cabelo. Tudo é um processo, e tem dias e dias também. Não dá pra achar que depois dessa live você vai perder sua timidez, é um processo de autoconhecimento, que leva tempo e requer muita energia. É muito gratificante ver a minha evolução. Até minhas amigas, clientes e pessoas próximas notam e vem me mandar mensagem falando que hoje em dia já estou bem mais solta nas câmeras.

Hoje em dia você movimenta diariamente os stories mostrando os bastidores, detalhes das peças, do processo criativo e de produção. Você começou a se sentir mais próxima das clientes quando começou a aparecer mais?

Letícia: DEMAIS! É uma relação que a gente constrói com a nossa audiência, e ter esse canal de troca com elas é muito gostoso e engrandecedor. Outra dica que eu acho legal é não deixar o algoritmo do Instagram te pressionar. Hoje em dia tem muito essa ditadura do algoritmo. Você TEM QUE postar no mínimo 5 stories por dia, fazer 1 live por semana, se não sua conta vai pro limbo, não vai aparecer pra ninguém. Essa pressão e obrigação não é saudável pra nossa mente, e acaba nos travando ainda mais. Então respeite o seu tempo, respeite a sua rotina, deixe o conteúdo fluir espontaneamente que assim vai ser MUITO mais fácil ligar a câmera e gravar. Porque é algo que você QUER fazer naquele momento, você sabe o que vai falar, você acha relevante de verdade. Postar só pensando em bater X números de stories por dia vai te deixar insegura sobre o que você está falando ou mostrando, e isso vai te gerar mais ansiedade e vergonha. 

Qual conteúdo você sente que as seguidoras mais gostam de ver por lá?

Letícia: Bastidores, spoilers e quando eu uso a peça e mostro (tipo provador, sabe?). Esses são os conteúdos que mais geram engajamento e conexão.

Esses dias você comentou no seu twitter (sim, eu sou stalker) que bateu o recorde de vendas do atelier em julho, em plena pandemia! Isso é maravilhoso! Você fez um bazar online pras meninas de Joinville no seu close friends do instagram e foi um sucesso (na verdade foi um verdadeiro Jogos Vorazes). Você acha que teria batido esses recordes se ainda não tivesse vinculado a sua imagem pessoal diariamente no seu perfil comercial?

Letícia: Eu acredito que esse sucesso está 90% ligado a isso. Esse ano que eu comecei a realmente me empenhar em dar as caras nos stories. Consegui delegar algumas funções de financeiro, modelagem e administrativo e hoje estou mais focada na parte de atendimento, mídias sociais e criação, que são áreas que estão muito vinculadas a mim e não me vejo delegando. Parece fácil, “ah mas é só fazer 5 stories de 15 segundos e uma fotinho pro feed, meia horinha por dia tá bom”, mas só a gente que trabalha com isso sabe o trabalho do cão que está por trás de qualquer conteúdo que a gente faz. Ainda mais quem está realmente preocupado em trazer conteúdo relevante. Depois que deleguei essas outras funções e me comprometi com essas áreas, ambas fluíram muito melhor e definitivamente esse recorde de vendas em plena pandemia está totalmente ligado a isso. Não tenho dúvidas.

Como você faz pra dividir o seu tempo entre criação das peças, atendimento ao cliente e todo o processo interno e ainda assim arranjar tempo pra produzir conteúdo por vídeo? Porque por mais que você tenha funcionárias, muitos processos dependem só de você internamente, né?

Letícia: Boa pergunta, nem eu sei, hahaha. Podia dizer aqui que todo domingo eu sento pra programar minha semana, que tenho horário no Google Agenda pra tudo. Mas não. Quem empreende sabe que a gente vive pra resolver os perrengues e é ESSENCIAL ter uma agenda super flexível. Então o que eu faço é ter uma lista de tarefas que eu preciso fazer na semana. O que é mais urgente e chato eu tento fazer antes, mas vou encaixando onde dá. Já me culpei muito por não conseguir ser extremamente organizada e metódica, mas minha criatividade e espontaneidade estão 100% ligadas ao fato de eu não ser extremamente organizada e metódica (apesar de ser a louca das listas, hahaha). Hoje em dia o método de organização que dá mais certo pra mim é ter um bullet journal, que é aquele caderninho sem data e sem pauta, e nele eu vou fazendo listas do que preciso fazer com mais urgência, sem data e sem horário marcado pra nada (a não ser compromissos agendados, claro) e vou organizando meu dia em cima daquilo. É super exaustivo porque minha mente está ligada 24h por dia, sempre resolvendo pepinos de 20 áreas diferentes (produção, desenvolvimento, fornecedor, logística, marketing, atendimento). Se alguém tiver uma rotina parecida com a minha e sabe como se organizar melhor, eu aceito dicas! Hahaha

Um momento de ensinamentos: teve algo que você quebrou muito a cara lá no começo e que percebeu que não dava certo pra você e resolveu mudar e fazer diferente nas suas redes sociais?

Letícia: O que tenho que me policiar muito ainda pra não cair na frustração e autocobrança é o fato de que pra mim NÃO adianta ter um calendário com postagens programadas. Eu já tentei separar um dia da semana e estruturar todas as postagens, mas não funciono assim, não adianta. Hoje quando me vem uma ideia eu jogo numa pasta do Trello e vou trabalhando mais tarde em cima daquilo. Mas no meu feeling, no meu tempo, sem cobrança de calendário, de horário, de algoritmo. Isso me trava demais. Outra coisa que eu nunca cheguei a fazer mas já pensei muito antes, é de delegar a criação de conteúdo. Eu tinha a visão de que por eu ser envergonhada isso não era pra mim e ponto, e que eu teria que ter alguém que fizesse. Mas ao mesmo tempo, sei que tenho muita coisa e conhecimento pra falar. A marca tem meu nome, tenho meu jeito de escrever as legendas que ninguém vai conseguir fazer igual. Então já aceitei que isso é uma das áreas que não vou poder delegar e que tenho que fazer.

Preciso enaltecer um ponto muito legal da sua marca, que é ter numeração desde o XPP ao 5G. Eu não estou no lugar de fala, mas acredito que a pior coisa deve ser não se reconhecer nas modelos de lojas online que você gosta, ou até mesmo não produzirem numeração pra você. Também já vi que algumas produtoras de conteúdo receberam essas peças com numeração maior e se identificaram muito e aprovaram o caimento. Esse era um dos seus objetivos com a sua marca, ser acessível a todos os tipos de corpo? Porque vai muito além da roupa em si, mexe com a nossa autoestima e amor próprio, né?

Letícia: Sabe que desde o começo da marca eu sempre me incomodei muito por não conseguir atender TODAS as pessoas que queriam uma peça? Não pelo fato de perder venda, mas era um incômodo e uma frustração que eu sentia lá no fundo. Eu também não estou nesse lugar de fala porque sempre encontrei meu tamanho em qualquer loja. Mas quase nunca caía bem por eu ter um corpo bem curvilíneo. Nunca consegui comprar uma mom jeans sem ter que comprar 2 numerações acima da minha e ajustar na cintura, nunca consegui comprar uma calça jogger que ficasse larguinha na minha coxa. E essa dificuldade é insignificante perto da sensação de entrar em uma loja e não ter NADA que te sirva, mas me fez abrir a cabeça pra esse público e para as suas dificuldades. Ser acessível e vestir bem todos os corpos sempre foi uma meta minha, quero que todo mundo tenha uma Calça Angra no guarda roupa e se sinta foda quando veste ela. E essa meta é algo mais ligado a minha realização pessoal do que de negócio. Até porque não é à toa que quase nenhuma marca tem uma grade de 10 numerações como a nossa, porque requer uma logística de produção suuuuper complicada, que acaba não sendo “rentável”. Mas tudo o que eu lanço e faço na marca eu faço porque acredito de verdade naquilo e no impacto que vai ter na vida das pessoas, e não pensando apenas no lucro e na viabilidade.

Se você pudesse deixar alguns conselhos para quem também tem a sua marca e tem receio de começar a aparecer mais, quais seriam?

Letícia: NÃO SE COBRE e não se compare com aquela menina que tem uma marca e faz 20 stories todos os dias. Cada um tem o seu processo, respeite o seu. Eu odeio esse papo meio autoajuda, meio coach, mas é a verdade mesmo. Busque se conhecer, busque mecanismos que te ajudem (escrever roteiros pra te guiar, gravar e mandar pras amigas antes pra elas te darem um apoio moral, ou só falar e não mostrar o rosto no começo e ir aparecendo aos poucos). E com certeza você vai receber feedbacks que vão te encher de orgulho por você ter conseguido, e que vão servir de combustível pra você aparecer de novo e de novo e de novo.

Quais são os próximos passos (além daquelas metas secretas que a gente só guarda pra gente) que você almeja alcançar com o seu atelier?

Letícia: Deixa eu pensar quais eu posso contar já, hahaha. Do atelier eu tenho o projeto de aumentar ainda mais a grade de tamanhos. Vamos lançar uma parte 2 da coleção casulo também em moletom, modelos bem legais e diferentes. Quero num futuro breve aumentar a nossa equipe também. E um projeto profissional que eu andei pensando muito desde o começo desse ano e que estou divulgando aqui com exclusividade é que estou estudando a possibilidade e me capacitando para começar a prestar mentorias para quem quer abrir sua própria marca de moda.

Le, foi muito especial essa conversa com você! Foram tantas dicas valiosas, que espero que muita gente tenha acesso a esse conteúdo. Obrigada pela sua disponibilidade e por ser inspiração. 

Letícia – Eu queria te agradecer de novo por me convidar, hoje vou dormir mais feliz e realizada por ter conseguido novamente superar a minha timidez! Também quero dizer que admiro muito teu conteúdo, e dizer que é uma super inspiração pra mim! 

 



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Você pode conferir o vídeo completo da nossa live clicando aqui. 

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