Sempre me orgulhei de poder falar (mesmo que em tom de brincadeira) que eu tinha três empregos. Júlia Costa Reis, dona e proprietária de 3 empresas: Galeria 44, minha loja de quadrinhos, 2B Marketing, minha empresa de marketing digital, e a 2BeeKind, que não paga meus boletos mas que considero como trabalho. E bota trabalho nisso aí, hein. E falando sobre isso eu me sentia até mais orgulhosa do que a Rochelle quando contava que o marido dela tinha dois empregos.

Mas aos poucos esse sentimento de orgulho começou a dar espaço para um cansaço físico e mental que só crescia. Nunca achei ruim trabalhar até tarde da noite porque amo o que faço. Só que o problema era que eu tinha esquecido de outra coisa que amo muito: eu mesma. Há quanto tempo eu não conseguia ler um livro, assistir uma série ou simplesmente passar horas sem rumo no Youtube? É, fazia muito tempo.

Foi aí que dei o meu primeiro passinho pra “trás” lá em maio: tive que aceitar que não dava mais pra carregar o mundo nas costas e decidi sair de uma das minhas empresas, a Galeria 44. Ainda bem que tive a sorte de ter como sócia uma pessoa maravilhosa, que entendeu todos os meus motivos e que sabia que meu coração estava aqui, na 2BeeKind (Mari, eu te amo garota). Não foi difícil apenas pelo fato de ser uma entrada a menos na conta no fim do mês, mas também porque foi a primeira empresa que eu pude chamar de “minha” lá em 2015. Fazia parte de mim até literalmente, em forma de tatuagem no meu antebraço.

Muitas outras coisas também mudaram desde maio. Agora o frio na barriga é porque vou passar por um período de carreira solo já que Paula virou mamãe (Lia chegou e é linda, gente!). Mas vai dar tudo certo. Tem que dar, né? Com menos empresas, minha rotina ficou um pouco mais leve. Consigo ter tempo pra mim todas as noites, ter tempo pra produzir conteúdos para a 2BeeKind. Consigo estudar dois idiomas que amo (inglês e coreano), consigo ler livros (mesmo que demore semanas para terminar um), consigo assistir doramas e até voltei pra academia (deixei em bold porque isso é um fato a ser comemorado *intensifies*). Hoje sinto que invisto meu tempo realmente em mim. Que faço tudo isso que citei somente por mim e mais ninguém. Antes eu deixava o mundo ir rodando enquanto me deixava pra depois, mesmo que inconscientemente. Foi um big step de 2019. Mas vocês acham que minha relação com o trabalho ficou 100% mais leve? Not so fast, my friend.

A gente sabe que o conceito de trabalho mudou. Eu também sei. Sei que quando tô gravando um vídeo pra postar no Instagram/YouTube da 2Beekind eu também tô trabalhando. Sei que se eu tiver que passar o dia na rua resolvendo coisas isso não deixa de ser trabalho. Mas saber eu até sei, mas como faço pra desativar o botão de culpa que sempre sinto por não estar sentada 8h por dia na frente de um computador como eu sempre fiz? Porque por muitos anos essa foi a definição de trabalho e de produtividade pra mim. Se meus pais não entendiam muito bem o que eu fazia quando era designer contratada em uma agência de publicidade, CLT, com todos os benefícios de funcionária, como explicar que agora eu faço os meus horários e que meu trabalho não depende mais de estar colada em uma mesa de trabalho? Como explicar que eu posso não ter trabalhado em um dia de manhã, mas ter respondido até tarde os comentários na rede social de um cliente no fim de semana? Mas, felizmente, os pesos e medidas alheios nunca importaram muito pra mim, mas sim os que eu mesma estabeleço pra minha vida.

Semana retrasada foi uma semana bem improdutiva. Me senti péssima, porque dependia só de mim e eu senti que falhei ao não poder riscar vários itens do meu planner. Me senti a última bolacha quebrada do pacote, a que vai direto pro lixo. Ou melhor, eu me senti o próprio lixo. Assim como eu me sentia quando lembrava que enrolei por meses pra escrever essa newsletter.

Se você esperava que esse seria o momento que eu viria com palavras de motivação e te contaria como consegui virar o jogo: eu sinto muito. Ainda não sei como me desprender da culpa e da cobrança constante por produtividade. Mas o que tem me ajudado é tentar ver a situação de fora. Vamos lá: pense em uma pessoa que você confortaria incondicionalmente. Mesmo se ela fracassasse ou cometesse um erro. Uma pessoa que você quer bem, independentemente das suas fraquezas e limitações. Você sabe que jamais apontaria o dedo para deixá-la pior ou desejaria que ela se sentisse culpada. Então por que fazer isso com você?

O jeito que você fala com você importa muito. Ouvi um podcast que ajudou a aliviar um pouquinho o peso do meu coração (obrigada, Uni), e no fim fui impactada por um mantra havaiano que eu nunca tinha dado bola. O famoso Ho’oponopono, sabem? A Regina comentou como ela repete esse mantra pra si mesma repetidamente quando percebe que está se cobrando demais. Eu sinto muito, eu me perdoo, eu me amo, eu sou grata. E por algum motivo isso mexeu demais comigo. Prometi que vou adotar pra minha vida. Se você também quiser ouvir o podcast, vou deixar o link aqui embaixo:

Ame o que você faz, mas ame ainda mais quem você é. Apesar de ser uma parte importante da sua vida, o seu trabalho não te define. O número de itens feitos da sua “to do list” não te define. A sua conta bancária não te define. O que realmente te define são as coisas que você ama. Já diria Taylor Swift em Daylight: “I just think that you are what you love”. Procure estar perto e conectado(a) com as coisas e pessoas que deixam o seu coração quentinho. E sim, pra isso você vai ter que abrir mão de algumas coisas (no meu caso foi dinheiro) pra conseguir criar tempo no meio da correria dos dias cinzas da rotina. Mas eu te prometo: esses dias não serão mais tão cinzas.

Final question: Se amanhã você não tivesse mais como trabalhar com aquilo que você faz hoje, você estaria feliz com a pessoa que você se tornou nos últimos anos? Eu espero que sim.

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